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Autárquicas 2017: Castelo Branco, onde ainda é possível o futuro desenhado pelas próprias populações

Domingo, 03.09.17

 

 

Assisti ao debate Autárquicas 2017 na RTP3 dos candidatos à câmara de Castelo Branco, moderado por André Macedo, que fui comentando sinteticamente no Twitter (@avidanaterra): "... Nem todo o investimento é interessante. A marca da região é a sua cultura riquíssima. ... o actual presidente do PS parece o mais preparado e receptivo a ouvir os munícipes. ... A candidata da CDU revela também estar bem informada sobre os obstáculos actuais ao desenvolvimento do concelho. ... o candidato do PSD refere as dificuldades do comércio da região vs produtos importados/grandes superfícies. ... seria óptimo se PS-PSD-CDU aqui formassem uma geringonça. Cultura+Economia+Emprego.

 

Nem todo o investimento é interessante: 

Gostei de ver o rosto perplexo do entrevistador (que é ágil, certeiro e objectivo), ao ouvir quatro dos cinco candidatos a favor de um turismo sustentável, mais vocacionado para o turismo cultural e de natureza, e acessível às pessoas comuns, isto é, não dirigido, tal como noutros concelhos, para ricos. André questiona: mas não é daí que vem o retorno do investimento?

Aqui já podemos perceber que praticamente todos os candidatos estão sintonizados com o futuro mais amigo das suas populações, o que valoriza  a sua história antiga, a sua cultura, o seu património, o seu território.

É que nem todo o investimento é interessante. Há investimentos que não se revelam benéficos, que apenas replicam os investimentos megalómanos de outros concelhos: ou um turismo de massas, que aqui seria catastrófico, ou um turismo para ricos, que adulteraria a marca cultural, única e intacta, da região.

 

A marca da região é a sua cultura riquíssima:

O património histórico e cultural, que pode ser observado e saboreado ao ritmo de quem respira um tempo que se prolonga, como passeios a pé ou de bicicleta, que não perturbam nem invadem. O bordado de Castelo Branco, a música, a gastronomia. O seu território, as freguesias circundantes. E as próprias populações.

A valorização do comércio tradicional e da indústria (azeite, queijo, etc.) é fundamental. As grandes superfícies podem trazer alguns empregos mas deixam pouco valor na região. Muito mais estruturante para uma comunidade, e interessante para o turismo cultural, são as lojas que comercializam os produtos da própria região, dos seus produtores, com a informação sobre a origem e modos tradicionais de confecção e fabrico. E, na realidade, este é um turismo cada vez mais procurado e valorizado pelos mais ricos.

As portagens da A23 são aqui referidas como obstáculo ao desenvolvimento do concelho. Considerando que as acessibilidades se dirigiram essencialmente para as rodovias, é sobretudo um obstáculo para o comércio e indústria da região. Aqui consideraria um investimento nacional na ferrovia para transporte de mercadorias.

Muito interessante a referência ao papel fundamental, para a economia e desenvolvimento do concelho, do Instituto Politécnico de Castelo Branco, cujo investimento dá retorno. A ciência e a tecnologia, bem orientadas, podem trazer projectos inovadores em várias áreas: energia solar, mobilidade, desporto, envelhecimento activo, saúde preventiva, alimentação saudável, controle de qualidade, etc.

 

O futuro de Castelo Branco pode ainda ser desenhado pelas próprias populações. E quantos concelhos podem ter esta opção?

Um futuro com qualidade de vida: onde os jovens licenciados possam fixar-se e exercer a sua actividade e/ou iniciar os seus projectos; onde as crianças se possam desenvolver harmoniosamente; onde os mais velhos possam envelhecer com a autonomia possível, mantendo-se activos e integrados na comunidade.

Um futuro com a liberdade de optar: entre o ruído (grandes superfícies, por exemplo) e o sossego (ruas do centro, esplanadas, etc.); entre os aglomerados de pessoas e os pequenos grupos; entre as réplicas e os originais. 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 08:51








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